domingo, 10 de junho de 2012

Agressividade no Trânsito



A violência, no contexto da seleção natural proposta por Darwin e minuciosamente estudada por analistas do comportamento, o repertório de violência é necessário à sobrevivência do organismo em seu ambiente para a perpetuação de seus genes e preservação da espécie. Em sua vida, o sujeito dá uma significação a sua experiência associando estímulos herdados, isto é, inato como medo, fuga, esquiva, prazer e com estímulos de sua época, aumentando suas chances de sobrevivência.
Para a Psicologia, a agressividade se define como um comportamento diferente da violência em si, por ser uma construção social: é aprendido. Apesar de relacionado com o repertório inato de violência, os atos de agressão só se mantêm se forem devidamente reforçados. A agressividade tem como objetivo causar danos ao outro que é, de maneira geral, motivado a evitar tal comportamento. Crianças em meados da segunda infância, que é um período em que elas estão se apropriando das leis de convivência e socialização, tendem a demonstrar comportamento violento ao verem adultos (sobretudo pais e familiares) se comportando de maneira hostil e tendem a aprender este comportamento – e associar a violência a resolução de problemas, surgindo o aspecto da agressividade em sua personalidade, que poderá se manter por anos: uma criança violenta pode, então, se tornar um adulto agressivo. A educação, aqui, tem um grande poder de coibir uma possível manutenção do comportamento, sob o risco de gerar um sujeito que não dissocia agressividade de viver em sociedade – inclusive no trânsito.
O sujeito agressivo tende a agir com a finalidade de menosprezar o comportamento alheio e as outras pessoas para realizar os seus próprios objetivos. Esse padrão costuma se manifestar em pessoas com baixa auto estima, sentimento de culpa e ansiedade, relações interpessoais frágeis, complexos de superioridade e que apresentam dificuldades em lidar com o poder. Tendem a ser controladores, vulneráveis ao isolamento e podem, em algum nível, elaborar fantasias para sustentar sua necessidade para a agressividade.
Estudos apontam que é comum, em algum momento da vida do condutor, cometer deslizes. Quando se torna frequente, é uma questão de saúde pública.
Dr. Leon James separa em três níveis: impaciência, luta de forças e negligência. Os motoristas agressivos tendem a acreditar que sua perícia em condução está num nível superior às dos demais e acreditam não estar contribuindo para o caos do trânsito.

Impaciência: não parar diante de placas ou sinais vermelhos, andar com velocidade acima do permitido, bloquear cruzamentos. São comportamentos que servem de estímulo aversivo para os outros condutores, e oferecem os menores riscos entre os três grupos.

Luta de forças: impedir outros condutores de realizar conversões e mudança de faixa, bem como sair de outras vias, usarem de gestos obscenos ou xingamentos para ameaçar outros condutores, ignorar a distância de segurança do condutor à frente e laterais. Estes sujeitos como “psicologicamente instáveis que acreditam estar fazendo um bem à sociedade, achando que os outros cometeram erros e precisam ser punidos, desejando punir aqueles que não têm uma conduta semelhante ao do condutor agressivo”.

Negligência: duelos, velocidades muito altas, fechadas, andar em “zig-zag” sem sinalização, dirigir entorpecido ou alcoolizado, bem como os crimes que se utilizam do trânsito como atropelos e assaltos. É o último nível de agressividade.

As causas mais comuns são: um ambiente físico que estimule a raiva e o estresse (como muito barulho, calor, engarrafamentos e a sensação de anonimato), baixa fiscalização (sentimento de impunidade) e um ambiente social que permite e até incentiva esse comportamento, como é o caso dos outros condutores, amigos e familiares do agressor no trânsito. É necessário mais educação e formação pessoal.

Fonte Psicologado Artigos

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