quarta-feira, 20 de junho de 2012

A in(ex)clusão dos surdos



Estudos revelam aspectos importantes na trajetória da inserção da linguagem para surdos, assim como o desenvolvimento social e cognitivo destes sujeitos.
Durante muitos anos a história vem demonstrando o quanto se fez e ainda faz-se necessário um processo de ensino e aprendizagem específico aos surdos. Embora vários especialistas e estudiosos sobre o assunto, busquem uma metodologia mais adequada às especificidades dos surdos, estes ainda estão diretamente mais  ligados aos ensinamentos de professores ouvintes, do que professores surdos, ao passo que estes também estão em minoria nas escolas.

A inclusão sempre deve acontecer mediante as necessidades dos surdos e não dos ouvintes. Atualmente no Brasil existem muitas classes especiais, recursos, espaços educacionais nas escolas regulares e escolas para surdos, mas não o suficiente para atender adequadamente estes alunos diferentes, certa vez tratados como excepcionais e comparados aos sujeitos com defasagem neurológica acentuada.

As políticas públicas de ensino direcionam o processo educacional e impõe o aprendizado através da expressão oral e auditiva, muitas vezes desrespeitando a identidade cultural dos surdos. Ainda que existam padrões universais de comunicação entre eles, muitos apresentam dificuldades de adaptação e aprendizagem nas etapas escolares. Sabe-se que a língua de sinais (Libras) facilita e permite o desenvolvimento intelectual e social dos surdos, viabilizando a entrada no mercado de trabalho, bem como favorecendo a competitividade e a permanência nele.

Importante salientar que a inclusão dos surdos nas escolas regulares perpassa por espaços que possibilitem uma comunicação adequada a realidade deles, facilitando o processo de aprendizagem e a auto estima.

O portador de deficiência auditiva merece ser observado e valorizado frente as suas diferenças: linguística e cultural, hoje e sempre. A falta de compreensão sobre a capacidade de aprendizagem e a preocupação em inseri-lo no mundo dos ouvintes, reprime e freia o seu desenvolvimento cognitivo e social, levando-o muitas vezes a exclusão da vida afetiva.

“...não é possível defendermos ou negarmos incondicionalmente as políticas de inclusão. Podemos apenas dizer da necessidade de se conviver com outro sem desejar fazê-lo como nós...” Adriana Thoma

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