Os opostos se atraem, diz o senso comum. Quando se trata de escolher a raça do animal de estimação, porém, parece que a “sabedoria” popular se engana. Um estudo desenvolvido pelos psicólogos americanos Michael M. Roy e Nicholas J. S. Christenfeld, da Universidade da Califórnia
Os pesquisadores analisaram vários pares cão-dono.
Interessados em saber se realmente as pessoas partilham traços físicos ou
psicológicos com seus bichos, eles fotografaram, em um parque público, 45 donos
e seus respectivos cães – 25 de raça e 20 vira-latas. Depois, mostraram a
voluntários que não tinham acompanhado a pesquisa as fotos dos proprietários,
de seu animal e a de outro cão. Em 16 dos 25 casos apresentados os observadores
escolheram o par correto. Isso, porém, só ocorreu nos casos dos cães de raça.
Roy e Christenfeld constataram que, de forma mais ou menos
consciente, as pessoas tendem a preferir um cachorro que se assemelha a elas,
ao menos no caso de animais que possuem características bem definidas e
previsíveis. As possibilidades de semelhança com o vira-lata são mais
imprecisas já que no caso dos animais sem raça definida é mais difícil
antecipar o aspecto futuro do filhote. Nesse caso, talvez fosse necessário
levar em conta também a convivência e a relação, mas isso exigiria uma pesquisa
mais aprofundada.
O que se sabe de forma cada vez mais detalhada é que bichos
de estimação, mais ou menos parecidos com seus donos, fazem bem à saúde das
pessoas. Na Universidade de Tel Aviv foi realizado um experimento para avaliar
se fazer carinho em um bicho poderia reduzir a ansiedade após 58 voluntários
entrarem em contato com uma tarântula. Havia um coelho e uma tartaruga, além de
coelhos e tartarugas de brinquedo à disposição dos participantes para que
escolhessem qual preferiam tocar. Ao acariciarem os animais de verdade, até
mesmo a rígida tartaruga, a ansiedade foi reduzida, inclusive daqueles que não
eram particularmente afeiçoados a bichos. Os animais de brinquedo não
provocaram o mesmo efeito.
Resultados positivos também têm sido obtidos, em várias partes
do mundo, com crianças com dificuldades de aprendizagem, idosos depressivos e
doentes físicos e/ou mentais. Os pesquisadores alertam, porém, que o uso de
bichos em terapias deve ser benéfico também para o animal, que precisa ser
poupado do contato com pessoas que possam lhe causar dor ou desconforto.
Fonte: Mente e Cérebro

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